O relato de uma experiência em um evento privado.


Estou aqui para relatar um pouquinho para vocês sobre minha experiência como voluntária. Já adianto meu parabéns a todos vocês, que, se estão lendo esse texto, tem interesse em trabalhar voluntariamente. E garanto, a melhor coisa do mundo é trabalhar com um grupo voluntário. Por quê? Bem, tenho muito a explicar!


Hoje em dia a maioria das pessoas trabalham pelo dinheiro. São desmotivadas, fazem de qualquer jeito e não possuem o espírito de equipe.

Com certeza vocês já ouviram por aí comentários de pessoas criticando a falta de remuneração;  lhes digo que essa é a melhor forma de garantir que os serviços nesses eventos de grande porte sejam feitos por pessoas competentes, com vontade de aprender e ajudar. Esse sim é o espírito que deve existir na copa do mundo e nas olimpíadas. Quem está se voluntariando acredita na capacidade do nosso país em sediar esses eventos, quer fazer bonito, quer fazer parte! E o mínimo que um trabalhador tem que ter, é a capacidade de acreditar no trabalho que ele desempenha e no meio em que atua!

Tenho certeza que, independentemente de ser escolhido como voluntário ou não, cada uma das pessoas que se voluntariaram (mais de 60 mil!) vão receber os estrangeiros e o evento em si de braços abertos, dispostos a mostrar a energia e simpatia tão característica do povo brasileiro. Vão aplaudir, se emocionar e curtir. Algumas pessoas ficarão emburradas e ocupadas em criticar tudo e todos, cegos quanto a beleza e as qualidades da própria pátria. Sinto muito por elas.

Bom, voltando a minha experiência como voluntária, ela ocorreu ainda este ano, em uma convenção internacional privada. Foi no Rio de Janeiro, e me desloquei até lá por conta própria. Não citarei o nome da empresa ou do evento pois acho desnecessário.

A seleção aconteceu inteiramente online, apenas com uma entrevista via Skype. Estranhei um pouco, pois qualquer um poderia facilmente ser um voluntário mesmo não tendo os requisitos mínimos. Obviamente, esse não será o caso da Copa,e asseguro que isso é ótimo. Teremos contato pessoalmente com os organizadores do evento, para saciar as dúvidas e inclusive dar sugestões. Olho no olho é sempre melhor que internet!

Chegando lá (cheguei sexta, e o evento ocorreu no sábado e no domingo), aproveitei para conhecer a cidade maravilhosa. Fiquei em um hotelzinho simpático no bairro da Lapa. Nesta mesma noite, houve uma reunião. Recebemos nossos uniformes mas a reunião não abordou tanto o evento em si, foi mais um meeting entre os voluntários. Saí de lá com algumas dúvidas, mas pensei que no dia seguinte, cedo, teriamos mais alguma reunião.

Isso é algo que preciso ressaltar: o treinamento precisa ser realizado, e muito bem realizado. Caso contrário a gente fica perdido e não sabe o que fazer. E isso aconteceu no evento: cheguei lá e estava a maior confusão, o credenciamento durou quase duas horas, não encontrava meus chefes e havia mais de 500 pessoas no local. Foi uma loucura. Os voluntários mal sabiam como credenciar e tiveram que aprender na hora. Com isso, muitos erros ocorreram.

Acabei fazendo de tudo um pouco, e não minhas funções que estavam descritas. Devemos lembrar que temos que conhecer nosso público e encontrar a melhor forma de se comunicar com ele, e isso deve ser pensado já no planejamento.

Na hora da loucura, os voluntários se uniram. Essa é justamente a diferença que surge quando não há remuneração, pude sentir a vontade de trabalhar e ajudar de cada um. Conseguimos superar aquela situação e o evento continuou.

A organização é outro ponto fundamental, precisa haver uma logística, um fluxo organizado de pessoas e informações. Essa empresa não tinha esse requisito básico.

O público tinha uma parcela internacional, um grupo pequeno vindo do México. Fiquem atentos a essa parte: A pessoa está fora do próprio país, em um local com uma língua e cultura diferentes, pessoas diferentes, ansiosa por momentos especiais e situações diferentes. Pude ver a insegurança nos olhos deles. Nossa obrigação é trazer segurança para essa pessoa, fazer com que ela se sinta o mais em casa possível. Meu espanhol não é muito bom, mas consegui me comunicar bem, sempre sorrindo, acenando com as mãos e tentando ajudar. Lembre-se que você faz parte da imagem que a pessoa leva do Brasil, faz parte de um momento especial da vida dela. Faça a diferença. Adoro conhecer e conversar com pessoas de outros países, essa é a maior riqueza da copa, iremos fazer amigos no mundo todo!

No começo foi meio estranho, devido a falta de treinamento, não sabia bem como desempenhar minhas funções ou como era o andamento do evento. Fui me adaptando e em um momento fiquei confortável.
Essa experiência foi excelente pois muitas vezes a gente acaba aprendendo mais com o negativo do que com o positivo. Houve muitas, muitas falhas por parte dos organizadores.

Conheci muitas pessoas, tenho amigos até hoje por causa desse evento. O reconhecimento das pessoas, o agradecimento, pedidos pra tirar foto com você...isso não tem preço! Eu fico maravilhada de saber que fiz parte de um momento especial na vida daquelas pessoas, e que elas levariam um pedacinho de mim com elas para suas casas.

No fim, resolveram dar uma remuneração. Pelo meu deslocamento de São Paulo e tudo mais, mas continuou sendo trabalho voluntário, pois só deu para pagar os gastos com táxi. Mas não me importei, quando me inscrevi, foi para trabalhar como voluntária.

Tenho certeza que por ser um evento privado, é muito diferente da Copa. Mas a base de qualquer evento é a mesma: organização, planejamento, muita pesquisa e comunicação eficiente.

Passei muito perrengue e muitas situações desagradáveis. Se você me perguntar se valeu a pena? SIM. Totalmente. É além de tudo um desafio pessoal. Acredito que qualquer trabalho voluntário ou experiência valem a pena. Uma das heranças que carrego comigo é uma visão de mundo mais ampliada, saber como é do outro lado, como funciona no backstage.

Qualquer dúvida que vocês tiverem podem perguntar, ficarei feliz em respondê-las.
Espero ter ajudado de alguma forma!


Um comentário :

  1. Muito show seu depoimento, obrigado por compartilhar com todos.

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