Diz aí, Voluntário: Mariana Oliveira - Credenciamento


Uma parte da galera do Credenciamento!
     

     Juntos num só rítmo! É isso aí galera, hoje estou aqui pra contar pra vocês um pouco da minha experiência como voluntária da Copa das Confederações, no setor de credenciamento do Rio de Janeiro! Uma área que trabalha muuuito, mas que ao mesmo tempo traz uma sensação de dever cumprido muito grande!! Mas primeiro, um pouco da minha história e de como cheguei até aqui.


Painel na entrada do Centro
Sou de São Paulo capital, e desde sempre sou uma apaixonada pelo Rio. Quando fiz minha inscrição, não tive dúvidas de que queria trabalhar na cidade maravilhosa. Um povo alegre e receptivo, paisagens e lugares lindos, muitas atrações culturais. E claro, tem o Maracanã, destino certo pra todo fã de futebol, como eu. Sempre sonhei em me envolver com uma Copa do Mundo e desde quando o Brasil foi anunciado como sede, coloquei na minha cabeça que eu teria que vir pra cá participar de alguma forma. E como também sempre quis fazer um trabalho voluntário, essa foi a chance perfeita. Me inscrevi logo no primeiro dia, e aguardei ansiosamente as próximas fases, sempre acompanhando todas as notícias. No final de fevereiro vim ao Rio para participar da dinâmica e saí bastante confiante que tudo daria certo. Só de sentir aquele clima, foi demais, conhecer outros possíveis voluntários, trocar experiências... naquele momento já me senti parte de tudo o que estou vivendo agora. Depois foi só esperar mais um tempo e os emails foram chegando, até o definitivo que me alocou como líder de credenciamento. Esta área não estava nem entre as minhas três opções , mas claro, recebi o desafio de coração aberto e me preparei para passar um bom tempo fora de casa, afinal minha escala começaria dia 20 de maio e iria até dia 4 de julho. Arrumei minhas malas e dia 17 já estava voando para o Rio.


   

Entrada do Centro de Credenciamento do Maracanã
O treinamento estava marcado para o dia 18, mas alguns dias antes recebemos a informação que tinha sido adiado para o dia 25. Fui assim mesmo pra poder aproveitar um pouco a cidade e disponibilzei-me a ajudar no que fosse preciso, afinal já estaria no Rio. Me ligaram e um dia antes do treinamento compareci ao Maracanãzinho e lá o trabalho começou. Se tem uma coisa que percebi desde o início, é que o credenciamento não é brincadeira! Muita responsabilidade, muitos detalhes! A tenda do credenciamento que todos vocês que estão no Rio conhecem, ainda não estava pronta então fiquei com nossos coordenadores e mais alguns voluntários produzindo os passes de montagem das empresas que já estavam trabalhando no Maracanã e de todos os voluntários que chegariam no dia seguinte. Um trabalho manual e um tanto repetitivo, mas pra mim era tudo novidade, e o que parecia um trabalho “chato” , foi uma ótima oportunidade de já começar a entender como tudo funcionava e conhecer as pessoas que estão por trás de toda essa empreitada! Ficamos o dia todo nesta tarefa, afinal o treinamento seria no dia seguinte e pelo menos esses passes tinham que estar prontos!


Fachada externa do Centro de Credenciamento
    No sábado, tivemos o treinamento teórico do sistema, o que nos familiarizou, mas não resolveu muito nossas dúvidas. Só aprenderíamos operando mesmo.  No outro dia fomos para a tenda, o material havia chegado e carregamos tudo pra lá. Ficamos o dia todo esperando para treinarmos pra valer, mas por conta de alguns problemas técnicos, também não foi possível.  Eu estava entre as pessoas que acabaram ficando até mais tarde e consegui mexer um pouco, e finalmente conseguimos produzir nossa primeira credencial. Tudo certo, tudo funcionando!


Recepção, ou greeter
       Legal ressaltar que o credenciamento é um pilar importantíssimo da segurança do evento.  E também somos a primeira impressão que nosso visitante terá, portanto temos que estar sempre dispostos a ajudar e receber todos bem, sempre! Eu imaginava que ficaríamos meio encarregados de distribuir as credenciais, que já estariam de alguma forma “meio prontas”, mas não, no centro somos responsáveis pelo processo como um todo, desde a verificação dos documentos, a captura da imagem, até a produção da credencial em si. Isso eu achei muito interessante, pois de fato é muito mais gostoso botar a mão na massa e ver tudo saindo pronto!  No credenciamento, também é fundamental o trabalho em equipe. E que equipe! Aqui no Rio tivemos a sorte de estarmos em meio a um grupo de pessoas animadas, comprometidas, competentes, enfim, só elogios à essa galera.  E o processo em si  pede uma equipe coesa e ligada! O visitante passa primeiro pela recepção, onde sua situação é checada, depois ele é encaminhado para uma outra equipe, que vai tirar a foto. Depois outro pessoal estará responsável pela produção da credencial, e caso algo der errado tem ainda a resolução de problemas, onde outras pessoas tentarão da melhor forma possível resolver a questão. Tudo funciona como um relógio, para que ao final, a pessoa esteja apta e entrar no estádio e exercer sua função.

Área onde tiramos as fotos ou image capture


Outra coisa que me surpreendeu positivamente é que temos contato com os mais diferentes tipos de pessoas. No credenciamento passam jornalistas, voluntários, membros do comitê organizador, da FIFA, gente de grandes empresas e de pequenas empresas, gente simples, gente arrogante, gente tão “importante” que você nem sabe que é, e gente que vai vender picolé no jogo.  Não importa quem você seja ou o que você vai fazer, você deve ter uma credencial. Essa universalidade e ao mesmo tempo esses casos tão particulares tornam o ambiente de trabalho sempre diversificado e conhecer todas essas pessoas, mesmo que por  5 minutos, já nos ensina muita coisa.
Mas o trabalho é árduo. Isso não tem como negar! Somos muitos e as vezes somos muito poucos. Imaginem vocês receber todos os jornalistas, prestadores de serviço, funcionários, enfim, todos ao mesmo tempo! Antes do jogo amistoso do dia 2 de junho, o credenciamento esteve bastante movimentado. Como se tratava de um evento da CBF, o papel da credencial era diferente, então foi feita uma divisão, e ao mesmo tempo atendíamos separadamente quem vinha se credenciar para o amistoso e para o evento mesmo. Isso gerou um pouco de confusão e longas filas, mas com uma grande dedicação de todos , tudo correu bem. Depois desse período tudo foi ficando mais tranquilo e a “confusão” daqueles dias ficou pra trás. Passamos a nos preparar para o jogo do dia 16, o primeiro no Rio e o credenciamento da mídia internacional, que se iniciaria só no dia 12.


Sala de distribuição de passes
     Mas se tem um setor que nunca é tranquilo é a sala de distribuição de passes, ou a “sala do day pass”. E sim, é la que eu fico! Lá é muito legal, mas o trabalho não para nunca! No centro de credenciamento não produzimos apenas as credenciais normais chamadas de event passes, produzimos também outros tipos de passes, para situações específicas. Temos o set-up pass, que é um passe de montagem, é aquele de papel que recebemos nos primeiros dias do treinamento, que geralmente são feitos à mão ou com etiquetas. Esses passes são para aquelas pessoas que literalmente precisam montar alguma coisa, vão ficar apenas alguns dias trabalhando e portanto não precisam de um event pass. Também fazemos os day passes e os match day passes, que são já no padrão de uma credencial normal, mas são apenas para um dia, para alguém que tenha uma reunião, ou vá participar apenas daquele jogo específico. Além de tudo isso, temos os two part passes, que tem duas partes e são em geral para empresas, segurança pública e privada e etc. A primeira parte a pessoa faz como uma credencial, com nome e foto e a segunda é genérica e produzida por nós. Falando assim parece fácil né? Mas recebemos os pedidos via email em planilhas e teoricamente teríamos que receber com antecedência, o que nem sempre acontece. Então além da produção , temos também que checar onde está autorização para esses passes e isso na maioria das vezes é complexo. E pra piorar são sempre em grandes quantidades e o prazo é sempre pequeno! Já tivemos demandas na casa dos milhares, e que tivemos que varar a noite fazendo! Isso claro, sempre no espírito do voluntariado, em nenhum momento alguém me falou que eu teria que fazer, mas ao ver a situação não tem como não ajudar! E trabalhando em um grande evento como esse é de se imaginar que as coisas acabem surgindo assim meio de repente. Sem contar as inúmeras vezes que aparecia alguém que tinha que entrar pra trabalhar, mas você não consegue encontrar o nome da pessoa em lugar nenhum. Considero esse um dos pontos críticos dessa função, afinal não é simples lidar com crises e eu particularmente sempre faço de tudo pra tentar ajudar as pessoas. Mas às vezes não tem jeito, relembrando lá o que eu disse sobre segurança, tudo no credenciamento obedece a um procedimento e fugir dele significa colocar tudo em risco. Enfim, como eu disse, não é fácil, mas obviamente tem seus momentos ótimos. Apesar de ficar as vezes meio isolada do pessoal, conhecemos pessoas novas, e por ficarmos mais tempo com elas, porque geralmente elas ficam explicando sua situação, a natureza do pedido e etc, é possível entender mais desse universo enorme que é uma organização de um evento deste porte. A quantidade de pessoas, de serviços, de empresas, tudo tem me surpreendido a cada dia que passa. É também uma ótima oportunidade para falar outras línguas e por que não, fazer até contatos profissionais. Mas de fato ajudar essas pessoas a ajudar esse evento acontecer é o mais gratificante de tudo. Da mesma forma que você ouve “se você não me deixar entrar tal coisa não vai acontecer” é muito bom ouvir “olha, muito obrigado, se você não tivesse me ajudado, eu não conseguiria ter feito tal coisa”.  Estamos sempre correndo atrás de alguma coisa, de uma autorização, de um passe emergencial pra uma visita, atendemos com a mesma boa vontade aquele idoso que está perdido e não consegue informação a respeito de ingresso. Agilizamos para que aquele jornalista estrangeiro cheio de equipamentos que acabou de chegar do aeroporto não perca o treino da sua seleção e tentamos resolver o caso da moça da limpeza que será demitida caso sua credencial não fique pronta. Temos que seguir o procedimento à risca, mas nosso trabalho também consiste em ir atrás daquele OK, para que tudo corra bem!


Também temos aquele momento de dar uma escapadinha rápida e assistir um pedacinho do jogo, tirar uma foto ou tietar alguém famoso que aparece no centro! Quando o Brasil joga, nos reunimos em frente a TV e assistimos o jogo juntos. Até café a galera organiza! É um ambiente muito saudável e tenho certeza que as amizades persistirão, inclusive espero encontrar essa galera em outros eventos. Nossos coordenadores também são demais (vão me chamar de puxa-saco, querem ver) , o que só contribui para que esse alto-astral esteja no ar 24/7. 



Realizando o sonho de estar em um jogo da Itália


    O pessoal do credenciamento também é responsável por fazer o zoneamento no estádio, então sempre antes de cada jogo rodamos o Maracanã todo, trocando os adesivos das pulseiras e dos jogos (reparem nas entradas e ao lado das áreas vips e de hospitalidade, um pôster com os adesivinhos). Com isso conheci literalmente tudo, o que foi muito legal. Cabe aqui um elogio ao estádio, que está maravilhoso tanto pro espectador quantos pros vips (quem sabe um dia chegamos lá =)



Galera nota 10!
     Acho que já falei demais!! O credenciamento é tudo de bom, as vezes ficamos esquecidinhos lá na nossa tenda, mas formamos um grupo muito legal que só enriqueceu muito a minha experiência como voluntária. Ainda temos umas semanas pela frente e tenho certeza que essa experiência positiva só vai se intensificar até o final. Não posso deixar de agradecer à minha família e a pessoa mais especial do mundo que tá lá me esperando e me apoiando sempre. E vou adorar ouvir da galera dos outros centros de credenciamento como está sendo essa experiência pra vocês! Beijos e até mais!


Mari

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