Diz aí, Voluntário: Natália Oliveira - Serviço ao Espectador


Era sábado, dia 15 de junho, abertura da Copa das Confederações da FIFA 2013, em Brasília, e eu uma das voluntárias selecionadas para trabalhar e contribuir com esse evento. Minha função era de STS, ou seja, auxiliar os torcedores durante todo o jogo. Tinha que estar com tudo, sorriso, alegria e o mapa na mão para poder fazer o melhor trabalho possível. Já estava quase na hora de abrir os portões e o show começar, estava ansiosa, e um filme começou a passar pela minha cabeça, foi difícil de acreditar que estava lá.
Comecei a lembrar de todo o processo, dos 130 mil que se inscreverão, eu e mais 700 sonhadores, aproximadamente, fomos selecionados para fazer parte desse grande time. Passamos por vários processos seletivos, subimos vários degraus, até chegar ao grande dia. Lembro de todos como  se  fosse hoje! O treinamento on-line, sendo o primeiro, foi para nos situar da Copa do Mundo, Copa das Confederações, voluntariado e sobre a FIFA. Com um prazo de pouco mais de um mês para concluir os cursos, tinha também um teste de inglês, mas não era obrigatório.
O segundo passo foi o processo de treinamento presencial, com dinâmicas sobre o que pode ocorrer na competição e como devemos agir, houve nossa apresentação e também a oportunidade de conhecer os demais participantes.
A terceira fase, era a entrevista individual e teste de inglês, para mim essa foi uma agonia. Não pelo teste em si, até porque eu não cheguei a fazer. Na semana da entrevista, meu dente ciso inflamou e começou a doer muito, fiquei muito mal e tive que fazer a extração com urgência o que acarretou na minha ausência na entrevista. Mas como meu sonho se contribuir com a Copa era tão grande, não desisti. Enviei um e-mail explicando a situação não tive nenhuma resposta do e-mail, mas de quase um mês depois tive  melhor resposta, recebi o e-mail perguntando a  quais os dias que eu poderia atuar.
Atuação no jogo Santos x Flamengo
Depois desse e-mail, recebi vários e-mails  e com bastante frequência. Até que no dia 7 de maio recebi o e-mail da minha convocação já com o dia do treinamento, 8 e 9 de junho, e minha área de atuação – como disse acima, fui escolhida para trabalhar de Serviço ao Espectador no Estádio  Nacional.
Nesse meio tempo, fomos chamados para trabalhar no evento-teste Santos x Flamengo, do dia 26 de maio, com um treinamento no dia anterior. Conhecemos o estádio e o nosso serviço apenas para aquele evento. Não foi uma tarefa fácil, eram 200 voluntários de STS e mais 40 de mídia (eu acho) para coordenar mais de 60 mil flamenguistas e santistas. Ainda tinha muita obra para acontecer no estádio, pegamos o mapa somente na hora da operação, e não tínhamos muito conhecimento do ingresso.  Mas apesar dos problemas que passamos no início, o sorriso e o carinho dos torcedores me fez esquecer tudo o que passamos e agradecer pela oportunidade (acredito que isso também aconteceu com outros colegas voluntários).
            Finalmente chegou o treinamento para atuação na Copa das Confederações, os coordenadores souberam conduzir bem o treinamento e nos motivar para trabalhar com alegria e satisfação. Retiramos nossa credencial, fizemos um tour pelo estádio, conhecemos nossa aérea de atuação e nossos colegas que irão trabalhar conosco.

            Bem, voltando à realidade, depois de passar todo esse filme, ouvi uma frase de uma voluntária que nunca mais saiu da minha cabeça, ela disse: “Nós poderíamos contar essa história, ver , mas escolhemos fazer parte dessa grande história e vamos fazer bonito!”. Essa frase me tocou muito e realmente todo o entusiasmo, alegria era perceptível ao olhar nos olhos e no sorriso de cada voluntário quer estava lá.
Equipe de Voluntários do portão T e W

Muitos voluntários enfrentaram a manifestação que teve em frente ao Estádio, fome – eu e minha equipe fomos almoçar às 17h – a arrogância dos espectadores vip’s e o cansado, mas nada tirava nosso entusiasmo de estar fazendo parte da história. A alegria dos espectadores ao chegarem e serem bem recebidos, ouvir o hino nacional em um jogo tão importante, ouvir a torcida cantar “Sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor”, é de arrepiar, é contagiante. Assistimos ao segundo tempo do jogo, gritamos gol, auxiliamos os torcedores na saída do estádio e recebemos vários elogios dos próprios torcedores.
Muitos criticam nosso trabalho, mas não há dinheiro que pague o grande aprendizado, a história que fazemos, carinho, a gratidão, os agradecimentos que recebemos dos coordenadores, imprensa e principalmente dos torcedores. Vamos mostrar que além toda a corrupção, o péssimo investimento na educação e de todos os males que o Brasil esta passando, podemos juntos construir o voluntariado brasileiro e que ele não fique apenas nos grandes eventos esportivos.

Patrícia e Natália: Prontas para indicar as filas


Nada melhor que finalizar a operação com um bela paisagem!



Natália Oliveira: Voluntária STS (Serviço ao Espectador)


Relatos de uma voluntária,
Natália Oliveira

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